Excesso de malhação traz sequelas à pele

É incontestável o quanto a prática rotineira de atividades físicas impacta positivamente a vida de qualquer pessoa. Uma simples pesquisa no Google lista uma série de benefícios da prática regular de exercícios, como aumento da qualidade e da expectativa de vida, combate ao excesso de peso, ao estresse e a outras doenças, entre elas hipertensão, diabetes, cardiopatias, problemas respiratórios e circulatórios. O excesso ou exagero, entretanto, pode trazer sequelas, algumas irreversíveis.

Estrias
Tem sido muito comum a presença de pacientes que, por excesso de malhação, passaram a ter estrias em determinadas regiões do corpo: tórax e braços. O aumento exagerado de massa muscular faz com que a pele se estenda demais. O estiramento excessivo da pele causa o rompimento das fibras elásticas e do colágeno (proteína que da sustentação e viço à pele). Aparecem, então, as estrias, como resultado de um processo inflamatório. Elas começam como linhas vermelhas e podem ir se aprofundando, até adquirirem a aparência de cicatrizes, espessas e profundas.

A primeira coisa a considerar é buscar orientação adequada para a prática de atividades físicas. Cada indivíduo deve respeitar seus próprios limites, que serão identificados por profissionais especializados. Além do acompanhamento de um professor de educação física, é necessário fazer check-ups médicos antes e durante a realização rotineira de exercícios. O uso de anabolizantes, por exemplo, deve ser evitado por completo.

Para prevenir o aparecimento de estrias é necessário seguir um programa que proporcione o aumento gradual de massa muscular, até o limite da estrutura do próprio organismo do paciente. Essa medida deve ser associada a outras, como a hidratação constante do organismo – que irá interferir na saúde da pele –, com a ingestão de água e líquidos não calóricos nem gaseificados. Alimentação saudável complementa a prevenção.

É necessário lembrar que remoção de estrias é um dos tratamentos mais difícies da dermatologia. Ainda não inventaram uma terapia 100% eficaz para esse tipo de caso. O que há de melhor atualmente é a associação de tecnologias a laser para o desaparecimento desse tipo de marca: Dye Laser, Fraxel e Active. As aplicações agem diretamente nos vasos sanguíneos, porém não garantem a eliminação total das estrias. O ideal é prevenir, pois o tratamento para as estrias sumirem é longo e não garante eficácia total.

Outros riscos
O ambiente das academias de ginástica apresenta ainda outros riscos à pele. A transpiração, a umidade e o mau uso dos aparelhos de utilização coletiva são fatores que favorecem a proliferação de fungos, podendo provocar infecções e micoses. As micoses contraídas em academias são as superficiais, que afetam as camadas aparente da pele. As mais incidentes são aquelas conhecidas popurlamente  como pano branco, frieira e pé-de-atleta.

Essas dermatofitoses aparecem em pequenas manchas brancas, com bordas vermelhas, e em descamações, principalmente na virilha, nos pés, no pescoço e nas costas. São contraídas pelo contato direto com áreas infectadas. Geralmente, os sintomas são coceira e descamação entre os dedos e na planta dos pés. A transmissão ocorre com o contato em pisos contaminados de banheiros públicos, saunas e piscinas.

Nas academias, os aparelhos para os exercícios de musculação são utilizados por várias pessoas ao longo do dia. A pele entra em contato direto com os bancos e outras partes da maquina, onde as pessoas encostam braços, pernas ou qualquer outra região do corpo. O uso de toalhas para forrar os aparelhos reduz a possibilidade de contaminação. O ideal seria que todos os usuários limpassem os aparelhos com álcool antes do uso, para que não houvesse nenhum tipo de problema.

Medidas simples, como aumento da higienização no manuseio dos equipamentos, evitar andar descalço ou usar meias e tênis por muito tempo e manter os pés sempre secos (umidade e calor favorecem a proliferação de fungos) auxiliam no combate a problemas desse tipo. O ideal é sempre tomar banho usando um chinelo impermeável. O calçado evita o contato com possíveis fungos que possam existir nesses locais.

Fonte: Finíssimo

Dr. Ricardo Fenelon
Dermatologista
Presidente da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia – Regional Centro-Oeste
CRM 4901

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