Tempo favorável para micoses. Saiba como tratá-las

Umidade e calor são ideais para o surgimento de micoses na pele, que são infecções que causam incômodo, transtornos aos pacientes e exigem tratamentos demorados. Causadas por centena de espécies diferentes de fungos, as micoses superficiais atingem a pele, as unhas e os cabelos. Esse período de chuva e dias quentes aumenta a proliferação de fungos, principalmente nas regiões do corpo que retêm umidade e calor, como virilha, dobras e dedos do pé, favorecendo o aparecimento de micoses.

Existem várias formas de manifestação das micoses cutâneas superficiais. Frequentadores de clubes, piscinas, praias e locais públicos de banho devem intensificar os cuidados com a pele. A frieira, também chamada de “pé-de-atleta”, é uma das mais comuns, além do conhecido “pano branco”. O paciente precisa estar com a imunidade baixa para que essas doenças se manifestem.

Os fungos alimentam-se de gordura ou de proteína, substância encontrada na superfície da pele, unhas e cabelos. Quando encontram condições favoráveis se reproduzem e passam a causar a doença. Os agentes causadores do problema podem ser encontrados no solo, em animais e no próprio organismo.

Tipos de Micoses:

– Frieira: Também conhecida como pé-de-atleta, frieira são descamações intensas na pele, que ocasionam coceiras, fissuras, inflamação e bolhas nas laterais dos pés e entre os dedos. É bastante frequente, devido ao uso constante de calçados fechados que retém a umidade. Também pode ocorrer nas mãos, principalmente naquelas pessoas que trabalham muito com água e sabão. Se não tratadas, pode abrir caminho para infecções bacterianas.

– “Pano Branco”: Caracterizadas por manchas hipocrômicas (mais claras que a cor da pele), O fungo causador vive em simbiose com a pele, sem lhe causar danos. Porém, em condições de calor, oleosidade, umidade e baixa na resistência imunológica ele se transforma e provoca as manchas. A pele afetada apresenta descamação fina. O problema se manifesta principalmente nas costas e pescoço. Quem já estiver com a micose, deve procurar um dermatologista de sua confiança e evitar bronzeadores oleosos. Usar sabonetes freqüentemente nessas regiões ajuda a prevenir a manifestação da doença.

– Micose no couro cabeludo: É mais freqüente e contagiosa em crianças. Forma áreas arredondadas com falhas no cabelo, escamação da pele e coceira. Raramente ocorre em adultos. A caspa não é uma micose, mas a descamação serve de alimento para o fungo.

– “Impingem”: São lesões arredondadas, que coçam e se iniciam por ponto avermelhado que se abre em anel de bordas avermelhadas e descamativas, com o centro da lesão tendendo à cura.

– Micose na virilha: Forma áreas avermelhadas e descamativas com bordas bem limitadas, que se expandem para as coxas e nádegas, acompanhadas de muita coceira.

Suspeitas de micose devem ser analisadas pelo dermatologista. Na maioria dos casos, apenas pelo aspecto em que se apresentam as lesões, a infecção já pode ser diagnosticada. O tratamento é realizado com antimicóticos, que podem ser medicações de uso tópico, sob a forma de cremes, loções e talcos ou medicações via oral, dependendo do caso.

O tratamento das micoses é prolongado e pode durar até 6 meses. É recomendado que o tratamento não seja interrompido quando terminarem os sintomas, para evitar que o fungo localizado nas camadas mais profundas possa resistir. Não é aconselhável a automedicação, pois pode agravar o problema.

Dicas para prevenir micoses:

– Enxugue bem o corpo após o banho, principalmente, dobras da pele, axilas, virilhas e dedos dos pés;
– Evite usar calçados fechados. Escolha os largos e ventilados.
– Evite usar roupas molhadas por tempo prolongado;
– Evite contato excessivo com água e sabão;
– Não ande descalço em pisos constantemente úmidos (lava pés, vestiários, saunas);
– Evite mexer com a terra sem luvas;
– Não use objetos pessoais (roupas, calçados, pentes, toalhas, bonés) de outras pessoas e material de manicure coletivo;
– Evite roupas quentes e justas e tecidos sintéticos, principalmente nas roupas de baixo. Prefira tecido como o algodão, pois não retêm suor.

Quem tem animais domésticos ou bichos de estimação deve estar atento também para as manifestações nesses animais, que podem ser contagiosas. Qualquer alteração na pele e o pêlo dos animaizinhos, como descamação ou falhas no pêlo, leve-o ao veterinário.

Fonte: Finíssimo

Dr. Ricardo Fenelon
Dermatologista
Presidente da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia – Regional Centro-Oeste
CRM 4901

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *