O passar dos anos não é o único responsável pelo envelhecimento

O sol em excesso e o cigarro também interferem no aspecto da pele.

Contra o tempo, não há quem possa. E nem é preciso tanto tempo assim para que a batalha tenha início. Depois dos 20 anos, a pele já começa a apresentar os primeiros sinais de velhice. Até os 30, eles serão suficientes para que você pare por um ou dois minutos em frente ao espelho esticando e enrugando a pele do rosto. Quem tem a pele clara começa a se incomodar com as manchinhas. Linhas de expressão em volta dos olhos são quase unânimes, mesmo que discretas — o preço que se paga por emoções fortes, como rir ou chorar sem economia. Daí por diante, elas ficam mais profundas, a pele mais fina e menos viçosa, as manchas mais numerosas. E não é um problema feminino. Desse mal, mulheres e homens sofrem por igual.

O corpo, no entanto, não. Há um motivo para dizerem por aí que as mãos são as grandes delatoras da idade de uma pessoa. Elas, junto a pescoço, rosto e colo são os primeiros a demonstrarem os sinais do tempo. O grande responsável, no entanto, não tem tanto a ver com a carteira de identidade. Culpe o sol. “Isso que o brasileiro tem de associar bronzeado à saúde é errado. O bonito do bronzeado dura pouco tempo e sai caro mais tarde”, sentencia a dermatologista Cleire Paniago. Isso explica por que essas áreas, mais expostas aos raios solares, são as primeiras afetadas. De acordo com a especialista, 90% da aparência envelhecida da nossa pele será culpa do sol.

Para começar, ele tem efeito cumulativo, o que significa que os danos serão consequências não de uma tarde debaixo do sol, mas de uma vida andando por aí sem proteção. Ele degenera o colágeno, deixando a pele mais flácida e quebradiça, é responsável pelo aparecimento de manchas claras e escuras — as chamadas “manchas de velho” — e deixa a pele mais áspera, segundo lista o dermatologista Ricardo Fenelon, presidente da Sociedade Brasileira de Laser, Regional Centro-Oeste. Nas mulheres, a coisa fica mais crítica com a menopausa, quando o estrogênio deixa de ser produzido e, consequentemente, o colágeno. “Daí é que as mãos vão ficando com aquela aparência magra, descarnada, com veias e tendões à mostra”, afirma.

A prevenção já é quase um clichê: filtro solar e sombra. Nas mãos, que ficam mais expostas, principalmente para quem passa generosos minutos no trânsito e debaixo do sol, a reaplicação deve ser constante. “Para quem dirige todos os dias, o filtro pode nem ser suficiente. A dica é deixar uma luva protetora no carro para essas horas e fugir do sol o máximo possível”, aconselha a dermatologista Cleire Paniago.

Outro vilão é o cigarro. Segundo Ricardo Fenelon, ele adiciona cerca de 10 anos à pele. E, diferente do sol, não são ruguinhas e manchas nas mãos as consequências do fumo. “As rugas geralmente já vêm profundas, ao redor da boca, devido ao movimento”, diz Fenelon. Fora a aparência amarelada que a pele adquire, devido à circulação deficiente.

E tem jeito?

A parte boa da história é que a medicina já dispõe de métodos que conseguem remediar alguns desses efeitos. Cada marca deixada pelo sol, pelo fumo, pelo tempo, ou a soma de todos eles, tem um tratamento específico, que é associado a outros conforme a necessidade.

O laser e a luz pulsada, com lugar cativo na maioria das clínicas de dermatologia, são grandes aliados no combate ao envelhecimento. E são multifuncionais: combatem linhas finas ao redor dos olhos, colo e mãos e também são os grandes protagonistas no tratamento de manchas de sol nos mesmos locais. A aplicação é rápida e não deixa marcas nem feridas. “A impressão é de que um dia você lavou as mãos e as manchas saíram, que nem sujeira”, compara Cleire Paniago. Geralmente, o tratamento exige duas sessões, com intervalos de 15 dias entre uma e outra e, de quebra, devolve um pouco de firmeza à pele.

A toxina botulínica, o famoso Botox, também segue com seu valor e, por isso, ainda é um dos tratamentos mais procurados nas clínicas. Ela é usada no preenchimento de linhas finas ao redor dos olhos, na testa, pescoço e no colo partido — aquela ruga que se instala entre os seios devido ao movimento e ao uso de roupas e sutiãs apertados e que tira do sério quem não dispensa um decote mais profundo. Ao contrário do rosto e pescoço, onde as aplicações devem ser repetidas a cada cinco ou seis meses, no colo o resultado é bem mais duradouro. “Há quem só precise de uma única aplicação durante a vida toda”, comenta Cleire Paniago.

Já as rugas mais profundas no rosto, colo e mãos levam preenchimento de ácido hialurônico ou de uma substância chamada hidroxiapatita de cálcio, um composto sintético na forma de microesferas suspensas em gel. A aplicação do hidroxiapatita é feita com agulhas finas. Para o ácido hialurônico, no entanto, já há quem faça o procedimento por meio de uma cânula, numa picada só. Depois de injetado o produto, ele é moldado como se fosse uma espécie de massinha de modelar, devolvendo o volume perdido às mãos e rosto, no bigode chinês, por exemplo. O resultado vem logo na primeira aplicação e dura até dois anos. No caso do hidroxiapatita, pode-se precisar de algumas sessões para notar as marquinhas desaparecendo.

Por fim, os peelings químicos, embora pouco a pouco substituídos pelo laser, ainda são bons aliados no rejuvenescimento, porque descascam a camada mais prejudicada, forçando que uma camada novinha substitua a outra. Eles podem ser feitos no rosto, colo, pescoço e mãos e amenizam danos mais superficiais. “Ele funciona, mas é muito empírico. Eu posso usar um produto X e atingir uma camada Y da sua pele e, usando o mesmo produto, não conseguir o mesmo resultado em outra pessoa”, pontua Ricardo Fenelon.

Já faz alguns anos que a aposentada Eleusa D’Alessandro, 58 anos, começou e enfrentar os efeitos de uma juventude vivida em tempos em que se esbaldar no sol era moda. As manchinhas de sol no rosto e no dorso das mãos, então, deram as caras e somaram-se à perda de volume. “Sempre fui muito magra e minhas mãos me incomodavam porque deixavam as veias e os tendões muito à mostra”, conta. A solução foi fazer um tratamento com laser e preenchimento de ácido hialurônico. Um ano e meio depois do tratamento, o resultado, embora menos aparente, ainda é perceptível. Para evitar que as manchas voltem com a intensidade de antes, se rendeu ao filtro solar e às luvas protetoras. No rosto, é adepta da toxina botulínica em doses moderadas — “tem que ser discreto” —para disfarçar as rugas na testa e ao redor dos olhos.

 

Os tratamentos que ajudam a rejuvenescer mãos, colo, pescoço e rosto:

Laser e luz pulsada
O que trata: manchas de sol, rugas finas, perda de colágeno
Onde: rosto, colo e mãos

Toxina botulínica
O que trata: rugas finas
Onde: pescoço, testa, região dos olhos e colo

Preenchimento com ácido hialurônico
O que trata: perda de volume, rugas e linhas de expressão
Onde: rosto, colo e mãos

Peelings
O que trata: rugas finas
Onde: rosto, colo e mãos

 

Por Carolina Samorano – Correio Braziliense

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.